Em 1906 um brasileiro conseguiu realizar uma das maiores
proezas até hoje alcançadas pelo homem: voar. Alberto Santos Dumont
(1873-1932), o pai da aviação, deixou um imenso público nos campos
de Bagatelle, em Paris, perplexo. Era 23 de outubro, e a comissão
esperava o sinal.
Monsieur Albert deu os retoques finais em sua engenhoca e limpou as
mãos. Sinalizou que iria começar e a multidão, que aguardava
descrente, abriu caminho. A hélice do 14-Bis começou a girar.
Depois de 100 metros percorridos pela máquina de bambu, Santos
Dumont decolou para o primeiro vôo da história.
O público assistiu a façanha atônito. O conjunto de 160 quilos
conseguiu percorrer 60 metros no ar, entre dois e três metros de
altura – até desabar no chão. A façanha surpreendeu a
comissão que, deslumbrada com o homem-pássaro, esqueceu de
cronometrar o feito.
Mesmo assim, o acontecimento foi divulgado com grande entusiasmo em
todo o mundo. Todos os jornais noticiaram, com fotografias
autênticas, o vôo de Santos Dumont. Além de ter um monumento
erguido no campo de Bagatelle em sua homenagem, o governo
brasileiro instituiu o Dia do Aviador.
Engenhoca de bambu torna-se 14-Bis
Pela lei nº 218 o governo estabeleceu que 23 de outubro é Dia do
Aviador. O objetivo é acentuar a “iniciativa do notável
brasileiro Santos Dumont quanto à prioridade do vôo em aparelho
mais pesado do que o ar”.
Este aparelho era uma engenhoca de bambu, revestida de linho. Foi
chamado de 14-Bis porque, durante um teste – quatro meses
antes do primeiro vôo -, foi acoplado em um balão nº 14. Era
necessário avaliar se o avião, de 12 metros de envergadura por 10
de comprimento, tinha equilíbrio para voar.
O motor do 14-Bis era um Antoinette de 50 cavalos. A hélice era
instalada na ré, seguindo o que aprendeu em suas experiências com
balões. A partir de 1897 Santos Dumont passa a pesquisar uma forma
de adaptar um motor de explosão ao balão, conduzindo o
aparelho.
O sonho
O sonho de voar era antigo: na infância, leu “A volta ao
mundo em oitenta dias” (de Júlio Verne). A partir desta
leitura, Santos Dumont volta-se às suas experiências e
invenções.
Depois de subir em um balão pela primeira vez, em 1897, empenha-se
na tarefa de construir uma máquina que voasse de forma controlada.
Começa a inventar o avião.
Em 1906 confirma o que seu pai teria escrito em uma carta: “O
futuro do mundo está na mecânica”. Constrói a primeira
máquina capaz de voar, em que o piloto escolhe a direção a ser
tomada.
Fonte: 360graus.terra.com.br








